sexta-feira, 4 de junho de 2010

O que eu penso de mau humor.

Eu adoro ficar de mau humor. O mau humor me deixa ácida, me faz questionar muita coisa. O mau humor é produtivo. Prova disso é este texto que eu escrevi no mais profundo mau humor.

Comecei a questionar, por exemplo, sobre numeração de roupa. Que coisa engraçada que é a numeração de roupa. Quando eu tinha 14 ou 15 anos e só usava camisetas de rock e calças rasgadas não me preocupava muito com isso. As camisetas podiam ser P M ou G e as calças podiam cair da cintura. Hoje em dia eu vejo que o problema é bem maior... Se eu vou comprar uma calça jeans (o maior tormento de todos os problemas de numeração de roupa são as calças jeans), a 38 fica apertada e a 40 fica enorme! Aí eu penso, porque eles não produzem a de numeração 39?! Será que a numeração 39 é previamente vendida na porta da fábrica antes mesmo de chegar às lojas? Fico imaginando as mulheres acampando na porta de uma fabrica de calças jeans, o pessoal que carrega o caminhão apreensivo, quando as caixas saem do depósito elas avançam... são muitas, estão extremamente irritadas, perigosas, pulam sobre as caixas e fogem com o lote de numeração 39.... E aqui estou eu no provador de uma loja divagando onde foi parar a calça 39... Sim, porque agora eu vou revelar a todas vocês que ainda não desconfiavam e tirar as dúvidas de uma vez por todas das que desconfiavam: Meninas, a numeração 39 existe! Afinal será que o cara que definiu a numeração das peças não sabia que a seqüência era 38, 39, 40?! Ele sabia. Ele fez. É tudo uma jogada de marketing, o seu sofrimento o e meu sofrimento do provador de roupas foi previamente planejado por algum publicitário idiota (e que ele não passe pelo meu caminho!). Se existisse calças 39 ninguém compraria a 38 ou a 40. É o fato de uma mulher não caber numa calça 38 que a faz entrar numa academia, (lucro) ou comprar aquelas máquinas para exercício que vendem no canal de divulgação de produtos da TV à cabo (lucro) ou, se for no estilo mais deprimida, se esbaldar em chocolates para sofrer depois com o dilema das calças 40-42 (Deus me livre!).



Quer saber outra coisa que é a maior jogada de marketing do mundo da moda? Coletes. Sim, agora no inverno eles são uma febre. “Estão na moda” e todo mundo (ou quase) está pronto para pagar o preço de uma calça em uma peça que não tem tecido o suficiente nem para fazer uma calça infantil. Pois eu vou quebrar outro segredo. Os coletes foram inventados para a fábrica não ter prejuízo com sobras de tecido das roupas maiores. Isto mesmo minha querida, o sempre vilão capitalismo com seu diabinho lucro. No verão eles não tem este problema porque qualquer sobra de peça pode ser aproveitada em um biquíni ou um top, ou uma mini-saia. Mas no inverno, naquele frio de rachar, quem tem coragem de sair com uma roupa dessas? – Ah, mas o colete esquenta o peito – Esquenta uma ova! Ele é decotado na frente e cavado nas costas, e geralmente de um tecido que não esquenta e não vem com forro. Se você quer usar um colete tudo bem, fique á vontade, só não se engane com esse papinho de esquentar as costas, a justificativa certa é a seguinte: Uso colete porque ele é um acessório que eu só acho bonitinho porque está na moda e com isso os magnatas-gordos-capitalistas podem aumentar consideravelmente suas fortunas em um produto que praticamente não tem custo de produção lucrando 100% do preço que eu paguei na loja. Pronto, você mostrou que além de ser uma garota da moda, também é cult, e ser cult está na moda.



Por falar em magnata-gordo-capitalista ou MGC, outra coisa que me intriga é a moda singularmente interessante destes camaradas. O anel de ouro no dedo mindinho para ser mais exata. Porque usar um anel de ouro no dedo mindinho?! Será que o MGC não tinha dinheiro suficiente para comprar um anel maior que coubesse no dedo anelar? (que o nome já diz: ANELar) Ou será que aquele anel é uma recordação do tempo em que ele era apenas um magnata capitalista ou MC? Caro sr. MGC, aguardo resposta.



Se você teve paciência de ler este texto até o final, tenha mais um pouquinho para deixar um comentário me dizendo o que achou dele. ^_^

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A sua vontade tem atitude?

Art. 227, C.F. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Lendo este artigo acho que qualquer comentário seria desnecessário. A não ser algum alienígena que tenha chegado neste momento ao planeta Terra, todos sabem que infelizmente o artigo citado acima não corresponde à realidade do Brasil e de muitos países.
Aprendemos em Introdução ao Estudo de Direito (I.E.D.) que existem três classificações para as normas: as proibitivas, as permissivas e as obrigatórias. Este artigo se encaixa nesta classificação como lei obrigatória: “é dever...” e, no entanto, por maiores que sejam os esforços não conseguimos alcançar nem mesmo uma margem satisfatória de resolução dos problemas de exploração, de violência, negligência ou discriminação às crianças e adolescentes. Nem mesmo após a criação de seu estatuto, que já conta dezoito anos, conseguimos alcançar o desejo utópico do artigo 227 da C.F. e eu me pergunto porquê?
Analisando a sociedade percebemos que essa dificuldade surge de algo muito mais complexo, além da vontade humana, pois se perguntarmos a qualquer cidadão se é seu desejo que o artigo 227 da C.F. seja cumprido à risca ele responderá: “Sim, com certeza. Isso é muito importante”. No entanto este mesmo cidadão pode ser sócio de uma empresa que explora o trabalho infantil ou um consumidor dos produtos fabricados pela mesma, pode ser dependente de álcool e bater na mulher e nos filhos em um dia que tenha abusado demais, pode ao estar passeando no centro da cidade ser abordado por um menor de rua e simplesmente virar o rosto e fingir não ver... pode enfim, nos pequenos atos sem importância do cotidiano, estes que fazemos quase que automaticamente, contribuir para que este artigo seja descumprido e, não sei se infelizmente ou felizmente, não há penalização prevista para a contribuição passiva ao crime contra a sociedade, pois se houvesse, todos nós sem exceção teríamos que responder por algo.
Conciliar a vontade com a atitude é, no meu ponto de vista, a única forma de conseguirmos evoluir um pouco neste sentido, e esse processo precisa ser feito paulatinamente e por todos. Não adianta colocar a culpa no Estado, não podemos esquecer que o “Estado” é uma organização de seres humanos e não compete apenas a ele essa mudança, mas também à sociedade e à família, conforme o artigo. Tanto o estado, quanto a sociedade e a família são formadas por seres humanos e o que pensa e faz cada ser participante dos mesmos é o que é refletido como resultado. Colhemos aquilo que plantamos, portanto não devemos repensar o que queremos colher mas o que precisamos plantar.

terça-feira, 28 de abril de 2009

O processo

Sobre porque fiquei tanto tempo sem atualizar o blog...


Criar dói a dor de um parto, mas antes criar que abortar a idéia...
O que era nada tornou-se forma,
E vida e voz, que grita e chora,

Que admiram, que têm medo de tocar...
A idéia, que acaba de nascer
Nova, frágil, indefesa

Quantos riscos!
Quantos cuidados necessários para que viva,
Cresça, mature, multiplique...

A idéia -
Criança no plano imaginário, virtual,
abstrato - coruja, a mãe, admira.

***********

O poema
de um poeta cético
Some,
na segunda leitura
dos versos

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nem luxo, nem lixo

Redação em resposta ao tema "pobreza e desigualdade social" da minha matéria de redação e organização do pensamento... pode parecer utópica, idealista e socialista demais e realmente o é, mas espero sinceramente que algum dia esta singela proposta seja viável.

*

Existem muitos pobres, extremamente pobres e poucos ricos, extremamente ricos. Assim como as virtudes que buscamos são o equilíbrio entre dois vícios: a paciência entre a ansiedade e a apatia, a coragem entre a covardia e a temeridade, o amor entre o ódio e a idolatria, sabemos que não atingiremos este tão sonhado ideal que subsiste entre a miséria e o luxo enquanto existirem desigualdades entre os homens.
Estudos sobre a distribuição de renda no Brasil dizem que 46,9% da renda nacional concentra-se nos 10% da população mais rica e apenas 0,7% desta mesma renda é distribuída entre os 10% mais pobres. A redistribuição de apenas 5% da renda da população rica seria o suficiente para tirar mais de 26 milhões de pessoas da linha de pobreza. Uma matemática bem simples, uma solução aparentemente tão fácil e ainda assim continuamos sofrendo este vergonhoso quadro de descaso social.
A verdade é que não adianta simplesmente sabermos o que está errado. Não adianta apenas olharmos para as crianças cadavéricas da África ou para as famílias desnutridas do sertão nordestino e sentirmos compaixão. Também não adianta colocarmos a culpa no capitalismo ou cobrarmos atitudes dos governantes. Existem determinados tipos de problemas que só se solucionam com a vontade e a colaboração de todos.
Cada um de nós é parte responsável da atual desigualdade social em que vivemos. Os ricos por acumularem demais, muito mais do que necessitam para si próprios. Os pobres, por buscarem melhorar apenas a sua situação particular e, ao conseguir melhorá-la, não procurar ajudar a outros. O ser humano prejudica a si mesmo quando toma atitudes mesquinhas, egoístas e individualistas.
O princípio básico para se fazer um mundo mais justo, com menos pobreza e desigualdade, é desenvolver nos homens a consciência de que sempre que esbanjamos algo estamos tirando o mínimo de alguém. O luxo de poucos sobrevive às custas do lixo imposto a muitos. Aprender a partilhar é uma necessidade urgente para que todos possam gozar de uma vida mais satisfatória e digna.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Desarmada

A paz eu não quero mais!
A paz com o medo,
com o desespero,
com a indiferença

Declaro guerra
à paz cômoda
inimiga da verdade
e vou desarmada

Sem o medo que estagna,
o desespero que espalha,
a indiferença que mata
a paz, que quero demais.

Um pouco de mim

Minha foto
estudante de Direito e pensante de muitas coisas, tentando me tornar uma pessoa melhor a cada dia para melhorar tudo ao meu redor...

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